A campanha para as eleições autárquicas terminou, hoje é dia
de reflexão. Foi uma campanha sem interesse, muitas das vezes sem nexo e não
dirigida ao interesse dos cidadãos em relação ao poder local. Partidos e os
seus candidatos aprontaram estratégias para propagandas diversas para captar
potenciais eleitores. Influenciar o povo para votar é o principal objetivo de
cada um dos partidos. São estratégias de marketing. Vender o seu programa (qual
programa?) prendeu-se com a capacidade, ou incapacidade, que cada um teve para conseguir
influenciar o público. São os empreendedores da política que utilizam técnicas idênticas
aos influencers que medram pelas redes sociais e pelos blogues fazendo
da estupidez dos outros o seu modo de vida. Sobre estupidez já escrevi aqui.
A captação de votos através da influência aos potencias
eleitores determinou o remoque para, mais uma vez, escrever sobre essa gente a
que chamam influencers.
No meu blogue A Fruta mais Ácida tenho
dedicado mais espaço sobretudo aos influencers que propagandeiam ideias para
quem queira comprar. Há também as aberrações de alguns que se julgam
engraçadinhos por fazerem stand up contando umas piadas rascas em canais
televisivos e em teatros esgotados por desejosos de piadas de mau gosto ou sem
piada. Quando há um que ri logo outros o acompanham opara não destoarem. Um
canal de televisão privado resolveu promover um desses a residente no programa
das tardes de domingo e, ainda, transformá-lo em ator de uma telenovela
enquanto muitos atores conceituados se encontram há muito em dificuldades por
falta de trabalho.
Influencers, influenciadores em bom português, é um
nome vago para indivíduos que vivem de canais digitais colocando em plataformas
conteúdos muitas vezes patrocinados. A cada mensagem e em cada selfie
supostamente sincera colocam as suas vidas em exibição. Eles são estrelas da internet
e precisam de protagonismo para ganhar a vida com a vida vazia e a pobreza de
espírito de outros.
Podemos então definir influencer como alguém que tem
a habilidade de influenciar um determinado grupo de pessoas mostrando o seu
estilo de vida, opiniões e hábitos muitas(os) e delas(es) baseiando-se para tal
na riqueza expondo-se através de imagens das suas casas, das compras que fazem,
dos meios que frequentam e no estatuto social. Utilizam as redes digitais ditas
sociais e o Youtube, neste caso chamam-se pomposamente youtubers, como
meios para alcançarem o seu alvo e têm efeito em muitas centenas e até milhares
de seguidores.
Os influencers das redes socias são os propagandistas do século XXI, uma casta originada pelas redes que atrai incautos para gastar o seu dinheiro em compras, por vezes desnecessárias, para se identificarem com o seu influenciador. É um novo estatuto ser seguidor de pessoas que não conhecemos de lado nenhum, mas de quem gostam de ver na TV. Os influencers são sujeitas e sujeitos, (coloquei as sujeitas em primeiro lugar para não me acusarem de ser machista, ou, caso contrário, de demasiado feminista), que olham para o mercado e percebem que podem criar riqueza a explorar o défice cognitivo dos influenciados.
O influencer mobiliza indivíduas(os) apelando para emoções e paixões mostrando um certo intimismo ensombrando as capacidades cognitivas da potencial “vítima”, para a atrair para a aquisição de objetos materiais e para serem seus seguidores. As suas receitas mágicas e as suas opiniões pessoais ao estilo do “eu já vi e aconselho porque comprei e tenho na minha casa”, são a suas armas preferidas. Ou ainda: “eu já comprei esta roupa que fica lindamente com a minha maquiagem da marca “X””. Muitos aproveitaram a covid-19 para fazer negócio colocaram fotos usando máscaras e usaram a hashtag do coronavírus durante o surto. É um oportunismo e uma jogada descarada.
Se a vida é complicada para o mundo em geral, imagine-se o
que é, por exemplo, para uma mulher que ainda não chegou aos trinta e já tem de
lidar diariamente com problemas tão profundos como saber que sapatos calçar. Sapatos,
romance e outras teorias de vida.
Estes influenciadores(as) colocam títulos aliciadores
enganando deliberadamente a audiência porque sabem que é necessário atraí-lo
independentemente da qualidade do artigo que aconselham. Eles não vendem,
aconselham, sugerem seja lifestyle e moda, beleza, coleção de joias
juntamente com uma marca, viagens milionárias, ou o quer que seja, e, muito
importante, acompanhadas(os) pelos seus maridinhos ou esposas – os divórcios deles e sobretudo delas também são muito
chamativos – mais os seus filhotes para que o impacto seja maior, para tal basta
colocar os vídeos e imagens para aliciar o pagode que seguir o seu Instagram o
outra qualquer rede social. E lá caem mais uns “likes” e uns euros na
bolsa pagos pela propaganda aconselhada.
Não posso esquecer os comentadores de influencers que
os publicitam descrevendo o quanto são interessantes colocando frases como:
“A ou (o) X apresenta no Instagram os seus outfits, (maneira
muito chique de dizer roupa), dos programas televisivos, o seu dia a dia e ainda
as suas sugestões para looks mais arrojados. Apesar de ter bastante
experiência como blogger moda e instagramer, o seu
estilo e forma de apresentar roupas e acessórios nos seus posts continua
a fazer com que os seus seguidores se apaixonem como no primeiro dia! Se quiser
comprar a roupa da blogger, poderá fazê-lo na marca Z. Tem peças
giríssimas com descontos imperdíveis! “Como podem ver são coisas estúpidas
e tolas, mas inteligentes, para atrair tolos. Utilizo aqui palavras em inglês para
dar a ideia de também estou in!
Se eu, sujeito influencer, no meu blog dou
visibilidade à minha vida privada de forma ficcionada dizendo às pessoas como
sou feliz com o meu consorte, falo dos meus filhos lindíssimos, na minha casa
para a qual comprei um móvel giríssimo, e para mim um perfume, um detergente que
“eu uso cá em casa”, ou uma roupa, ou uma viagem incrível que fiz ao “país
paraíso” onde me diverti imenso com a minha família, etc., etc., as pessoas vão
a correr consumir seja o que for que coloquei no meu blog, ou anunciei na rádio,
ou na televisão. Mas, atenção, a culpa não é minha, é das pessoas que acreditaram
nas soluções incríveis que lhes propagandeei e que eram boas para a minha casa,
para mim e para a minha família e quiseram viver as mesmas experiências do que
eu.
Os influencers prestam um serviço inestimável à
sociedade e o Estado não pode impedir estes empreendedores que fazem pela
vidinha e que encontram maneiras de obter vantagens financeiras e rentabilizar
a estupidez alheia.
Poderão pensar que sou contra a iniciativa privada e o
empreendedorismo. Nada disso. Pelo contrário. Estou é em desacordo com o
simulacro de empreendedorismo que se aproveita da estupidez alheia. Se, por um
lado, a indústria dos media é extremamente regulada, por outro, há uma
indústria informal que tem cada vez mais influência, mas que não tem qualquer
tipo de regulação.
Não podemos subestimar o papel dos otários que contribuem
para o bolso dos influencers. Há negócios que dependem dos otários. Se
não os houvesse quem lhes colocaria os “likes” nos “posts” e quem
iria a correr a comprar online ou nas lojas os artigos que os influencers
anunciam como os mais incríveis da moda e que iria contribuir para entrar os
dinheirinhos nos seus bolsos. Ser influencer é um sonho de qualquer um,
porque não tem que investir em stocks, nem em salários dos seus colaboradores,
nem em nada, a não ser no tempo que está agarrado a colocar as novidades e a
mostrar que está in para o que basta encontrar estúpidos que os sigam. Quanto
mais seguidores e “likes” mais probabilidades há de captar anúncios para
o site.
Parece-me que algumas pessoas endoideceram ou, então, estão
debaixo de um stress agudo. Não me refiro apenas a gente do povo porque neste incluo
também médicos, juízes negacionistas que se opões às medidas sanitárias e fazem
acusações infundadas. Esta gente são um caso de estudo de doenças mentais. Não
são opiniões, nem me venham com as tretas de serem contra o pensamento único, ao
negarem que em Portugal as mortes por covid-19 foram manipuladas como explicam
o que acontece ao nível planetário. Isto
é simplesmente demência.
Muito se grita por liberdade, especialmente a seita dos
negacionistas, estão de facto a tornarem-se numa seita durante a epidemia da
covid-19. Ser influenciado por influencers, desculpem-me a redundância
linguística, é, em muitos casos, termos a liberdade de sermos estúpidos o que
merece proteção porque não temos escolhas próprias e precisamos de catar locais
onde eles se hospedam virtualmente.
No meu entender qualquer influencer tem a arte de “domar”
estúpidos, isto é, exercer
domínio sobre os impulsos ou instintos de outro(s) e, para isso, temos de ter
todos algo de estúpido. Há quem tenha milhões de seguidores nas redes
sociais. Poderá perguntar-se: será que milhões serão todos estúpidos? À
resposta a esta pergunta eu respondo que sim comparando com muitos mais milhões
que não são seguidores de nenhum influencer. Eu não me incluo nestes,
mas no dos estúpidos, porque sigo alguns. Há, contudo, uma diferença, esses(as)
que sigo não me influenciam com as suas tretas.
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